segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Pérolas Vespertinas II

Coloquei as mãos no bolso
joguei fora as cinzas
do nosso último encontro
como pode sustentar essa superficialidade?
só charme vazio
o brilho da ilusão.

Vou devorando meus desejos
mordendo meus lábios
até sangrar
perpétuo silêncio
tudo dentro de um só.

Não é mesmo fácil amar
o efêmero.
As linhas do rosto irão se acumular
mas as sensações são passageiras.

Não entrei no trem
esqueci as passagens encima da mesa
junto com o meu copo de solidão.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Insustentável

Beijei sua pele.
Beijei seus ossos.
Senti carícias vazias,
senti um corpo
e sua leveza.
O peso de mãos famintas,
o gosto acre do prazer
do prazer, do prazer.
Mas o sentimento se foi.
O triângulo, a porta, a chave.
Só pertencem aos que não procuram
somente entre as pernas.
Os que veem um corpo e
procuram a alma.
Ou será que um não pertence ao outro?
Sou só vento.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Drama

Ei garota,
pare de dormir.
Venha para esse dia
esse dia de fogo.
Coloque sua melhor roupa
suas rendas, seus laços.
Embeba sua boca de vermelho.
Ei garota,
pare de chorar.

Apenas pare.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sutiã

Dormi com a tua respiração no meu pescoço. Tão leve quanto teu sono, um homem de palavras pesadas. Não queria acordar ao teu lado, passar mais uma alvorada com seu humor cortante, flutuar sobre a navalha. E mesmo assim quero viver sobre a tua sombra do que adormecer com meus meros devaneios.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

"O abismo não nos separa.
O abismo nos circunda."

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Queimação no esôfago

tic.tac.boom.
como explicar?
como perguntar?
como suportar?
como entender?
como segurar?
como não chorar?
como não explodir?
como não gritar?
como não suicidar?
Mais um dia
e minha paciência está queimando no esôfago.

sábado, 12 de setembro de 2009

Nell'Aria Bruna



Quando meu anjo virás me buscar?
Estou tão cansada, com a navalha do tempo em minhas mãos.
E se eu parasse os ponteiros do relógio?
Leva-me para onde os sinos nunca tocam e
me aqueça com seu olhar abrasante.
Faça-me esquecer!
A ferida nunca cessa
nunca cessa.